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As tensões em torno da Groenlândia e as preocupações fiscais no Japão aumentaram a volatilidade global, com quedas em ações e títulos. Conheça nosso cenário-base e recomendações de investimento para 2026.

O que mudou e o que vem a seguir

O que aconteceu?

Ações e títulos ao redor do mundo caíram nesta terça-feira, após uma escalada das tensões geopolíticas envolvendo a Groenlândia e o aumento das preocupações com a política fiscal do Japão.

No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas crescentes a oito países europeus até que os Estados Unidos sejam autorizados a comprar a Groenlândia. Segundo informações, a União Europeia estaria considerando medidas de retaliação, o que poderia incluir tarifas e/ou a restrição de acesso ao mercado único europeu para empresas americanas. Antes de um discurso em Davos na quarta-feira, Trump afirmou nas redes sociais que “não há volta” em sua meta de controlar a Groenlândia.

O temor de uma incerteza prolongada e a possibilidade de um retorno da guerra comercial entre EUA e UE pesaram sobre as ações. O S&P 500, nos EUA, fechou em queda de 2,1%, enquanto o Stoxx 600, na Europa, caiu 0,7%. É importante, porém, colocar esse movimento em perspectiva: ao longo do último ano, o S&P 500 e o Stoxx 600 acumularam altas de cerca de 15% e 19%, respectivamente.

Um ponto relevante é que o dólar americano também caiu com força: o índice DXY recuou 0,8%, indo na direção oposta ao seu comportamento histórico, que costuma ser de valorização em momentos de alta volatilidade. Os investidores buscaram outros ativos considerados “porto seguro”: o ouro subiu 3,7%, atingindo uma nova máxima histórica, e o franco suíço se valorizou 0,9% frente ao dólar.

Enquanto isso, no Japão, a primeira-ministra Sanae Takaichi dissolveu formalmente a câmara baixa da Dieta Nacional na segunda-feira, convocando eleições antecipadas para 8 de fevereiro. Em entrevista coletiva, ela prometeu reduzir o imposto sobre consumo de alimentos, fortalecer a segurança nacional e ampliar investimentos em diversos setores.

Os títulos do governo japonês (JGBs) caíram com a notícia, em meio a preocupações fiscais. O rendimento dos papéis de 10 anos subiu mais 8 pontos-base, para 2,35%, acima da mínima recente de 2,08% registrada em 8 de janeiro. Isso contribuiu para uma piora do sentimento em relação a títulos públicos no mundo todo, já que investidores passaram a considerar o risco de repatriação de capital, à medida que os rendimentos no Japão se tornam mais atraentes para investidores locais. Nos EUA, os rendimentos dos Treasuries de 10 anos subiram 7 pontos-base, para 4,29%, acima da mínima da semana passada, de 4,14%.

O que esperamos daqui para frente?

O impacto de eventos geopolíticos nos mercados financeiros — incluindo o ataque dos EUA a instalações nucleares no Irã e a prisão do presidente da Venezuela, Maduro — tende a ser menor quando a resolução é rápida e definitiva.

Por isso, estamos monitorando o risco de um impasse prolongado ou de uma escalada de tarifas retaliatórias entre os EUA e Groenlândia/Dinamarca/União Europeia, com ambos os lados exercendo pressão econômica e política. Na nossa visão, esse cenário teria o impacto mais negativo sobre ativos de risco — especialmente na Europa.

Uma possível solução mais favorável seria o governo Trump estabelecer acesso livre a recursos e presença militar, mas sem adquirir a Groenlândia. A experiência do último ano mostra que a administração Trump costuma negociar e reduzir tarifas a partir de níveis inicialmente mais altos.

Apesar do risco de mais volatilidade no curto prazo, nosso cenário-base é que as tensões envolvendo a Groenlândia não são motivo para mudar nossa visão positiva para ativos de risco. Esse tipo de incerteza geopolítica reforça a importância de ampliar a exposição a ações, diversificando entre regiões, setores e temas estruturais. Além disso, a decisão da Suprema Corte no próximo mês sobre o uso de tarifas via IEEPA, caso considere essas medidas ilegais, também pode limitar a capacidade do presidente Trump de impor novas tarifas.

Ao mesmo tempo, a recente queda dos títulos de prazo mais longo no Japão e nos EUA mostra as pressões que podem surgir quando a política fiscal passa a ser questionada. No entanto, se os rendimentos dos títulos longos continuarem subindo, esperamos uma combinação de ajustes na emissão de dívida e possível intervenção dos bancos centraispara conter os juros. Após a volatilidade inicial, isso seria positivo para o mercado de renda fixa, mas pode elevar a volatilidade cambial.

Nossas projeções de junho para os rendimentos dos títulos de 10 anos nos EUA e no Japão — 3,75% e 2,00%, respectivamente — estão abaixo dos níveis atuais.

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