Em UBS House View – Monthly Letter, Mark Haefele, Global Chief Investment Officer, analisa as ações em alta e as preocupações com a estagflação, o pico das sanções, o início da nova era de segurança e alocação de ativos.

E agora, para onde vão os mercados?

Quais são as consequências de longo prazo do conflito na Ucrânia?

Estamos diante de uma incerteza geopolítica e econômica significativa. Houve uma escalada na guerra na Ucrânia, e isso desencadeou uma crescente crise humanitária. Sanções foram impostas, perturbando os fluxos de commodities e criando extrema volatilidade em alguns mercados. Conversas sobre um cessar-fogo ainda não produziram resultados.

Em outra frente, o Federal Reserve aumentou as taxas de juros pela primeira vez desde 2018, respondendo em parte ao efeito sobre a inflação dos preços mais elevados das commodities. A China, enfrentando seu maior surto de COVID-19 desde o início da pandemia, sinalizou uma possível mudança mais significativa em sua política econômica.

Como o mercado tem respondido a esse coquetel de incertezas? Recentemente, as ações estiveram em alta, em parte devido à queda nos preços de títulos e a inflação deixou vários participantes do mercado acreditando que “não há alternativa” às ações. No entanto, novas sanções ao petróleo russo poderiam levar a uma recessão “inevitável”, segundo o Fed.

No curto prazo, acreditamos que os resultados para os mercados se concentrarão principalmente na questão de quando atingiremos — ou se já atingimos — o pico das sanções e dos preços do petróleo. A resposta a isso também é incerta. Alguns diplomatas europeus demonstraram otimismo quanto às perspectivas de uma resolução para a guerra, embora suas contrapartes dos EUA tenham manifestado maior cautela e, em uma recente pesquisa alemã, 55% dos pesquisados são favoráveis a deixar de importar gás e petróleo da Rússia, mesmo que isso resulte em problemas de abastecimento.

Dada a incerteza, em vez de fazer uma forte aposta direcional geral, preferimos assumir posições em áreas nas quais temos maior visibilidade do futuro.

Em primeiro lugar, acreditamos que as sanções provavelmente se manterão independentemente de um acordo de cessar-fogo nas próximas semanas. Isso significa que acreditamos que as ações relacionadas a commodities e energia continuam eficazes como proteções de carteira, amplamente apoiadas no nosso cenário central, mas também com probabilidade de ter um bom desempenho em um cenário de baixa.

Em segundo lugar, os custos da energia provavelmente elevarão a inflação e contribuirão para taxas mais altas. O Fed já elevou as taxas de juros e sinalizou uma maior disposição de realizar outras, em breve. Em um ambiente de elevação de taxas, atualmente temos preferência por ações de valor global e financeiras, além de empréstimos privilegiados dos EUA, mas estamos começando a ver algum valor em partes do universo de títulos de grau de investimento, os quais atualizamos para neutro neste mês.

Em terceiro lugar, acreditamos que a invasão da Ucrânia pela Rússia marcará o início de uma nova era de segurança em todo o mundo, englobando as áreas de energia, alimentos, dados, defesa nacional e clima. Projetamos que uma desconfiança internacional elevada levará os governos e empresas a colocar maior ênfase na segurança e estabilidade em relação ao preço e a eficiência.

No restante desta carta, analisarei mais detalhadamente os nossos cenários, os caminhos e catalisadores que poderiam nos levar até eles, e as possíveis consequências da guerra para os investidores.

Mark Haefele

Global Chief Investment Officer

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