Investindo no brasil ronaldo patah

2022 provavelmente verá o primeiro superávit fiscal primário tanto para o governo nacional quanto para os governos locais em 10 anos. O desemprego está caindo para o nível de 8% depois de atingir 15% no auge da pandemia.

Investindo no Brasil

As perspectivas para 2023 ainda não estão muito claras, mas podemos ter algumas pistas em breve

Contra todas as apostas

Contra todas as apostas, o PIB brasileiro provavelmente crescerá mais de 2% este ano após dados recentes de atividade melhores do que o esperado, especialmente em serviços, surpreenderam economistas. A recuperação após a pandemia de COVID-19 é a principal razão para o forte desempenho, pois os consumidores em geral estão focando mais em fazer atividades, em vez de comprar mercadorias.

 

Contra todas as apostas, a inflação de 2022 provavelmente será próxima de 6,5% depois de chegar a uma expectativa de até 9% apenas alguns meses atrás. A surpresa aqui foi o Ministério da Economia trabalhar de mãos dadas com o congresso para aprovar um limite a alguns impostos estaduais, especialmente relacionados às contas de gasolina e luz. O governo federal também ajudou, cortando para zero alguns impostos sobre produtos industrializados.

 

Contra todas as apostas, 2022 provavelmente verá o primeiro superávit primário fiscal tanto para o governo nacional quanto para os governos estaduais em anos. Do lado da receita, o governo se beneficiou de preços mais altos de commodities, inflação mais alta, melhores dividendos de empresas públicas e atividade econômica mais forte em geral. Do lado das despesas, o governo federal está se beneficiando da reforma previdenciária aprovada em 2019, bem como do menor crescimento real do salário-mínimo e dos salários dos servidores públicos.

 

Contra todas as apostas, o desemprego está caindo para o nível de 8%, depois de atingir 15% no pico da pandemia. O país está gerando empregos formais em uma velocidade rápida; assim, o número de pessoas que procuram emprego em proporção à população economicamente ativa, provavelmente voltará aos níveis de antes da recessão de 2015-2016.

 

Contra todas as apostas, o BC está pronto para encerrar seu ciclo de aperto, à frente dos principais bancos centrais do mundo, e provavelmente será um dos primeiros a iniciar um ciclo de flexibilização, até meados de 2023, em nossa opinião. Depois de subir a taxa de juros de 2% em março de 2021 para 13,75% agora, o BC provavelmente vai parar o processo de aperto da taxa de juros na próxima reunião de política monetária.

 

Contra todas as apostas, o processo de eleições gerais está funcionando sem problemas. São 156.454.011 brasileiros aptos a eleger o presidente da república, 27 governadores, 27 senadores, 513 deputados federais e 1.035 deputados estaduais. Em um comportamento incomum, os mercados não estão ficando estressados com a possível transição de poder. O fluxo de investidores estrangeiros para o mercado de ações é positivo, e o real brasileiro tem o segundo melhor desempenho entre as moedas de mercados emergentes este ano, atrás apenas do rublo russo, que não se beneficiou de fatores relacionados ao mercado.

 

Tudo isso está acontecendo em um ambiente mundial muito desafiador, o que o torna ainda mais surpreendente. Atualmente, todos os três principais blocos econômicos do mundo - EUA, Europa e China - estão desacelerando, com altas chances de recessão. A maioria dos bancos centrais do Ocidente ainda luta para estabilizar a inflação, enquanto a liquidez global está sendo reduzida e as taxas de juros estão subindo na maioria dos países.

 

A questão de um bilhão de dólares agora é como a economia vai se comportar no próximo ano após tal desempenho. As perspectivas para 2023 ainda não estão muito claras, especialmente devido à eleição presidencial, mas podemos ter algumas pistas em breve, independentemente de quem seja eleito.

 

À medida que o ciclo monetário amadurece, as taxas mais altas provavelmente pesarão sobre a atividade econômica, por isso devemos esperar menos crescimento econômico no próximo ano. No entanto, isso dependerá das medidas fiscais tomadas pelo governo, pois há uma boa chance de que algumas medidas de estímulo sejam aprovadas pelo congresso, a fim de aumentar o auxílio a famílias de baixa renda.

 

A inflação provavelmente será muito menor do que a taxa esperada para este ano de 6,5%, mas ainda acima da meta do BC, de 3,25%. Como consequência, o Banco Central provavelmente poderá iniciar um ciclo de flexibilização até meados do ano, em nossa opinião, que preparará o terreno para uma economia mais forte em 2024.

 

A principal questão para 2023 é o que acontecerá com o quadro fiscal. Já sabemos que tanto o presidente Jair Bolsonaro quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os dois principais candidatos na eleição presidencial, planejam algumas mudanças para a atual lei do teto de gastos. Dependendo do que for proposto e aprovado pelo congresso, o impacto nas despesas públicas, nas expectativas de inflação e na confiança em geral vai variar.

 

Esperamos que, não importa quem seja o presidente, o novo arcabouço fiscal forneça um limite crível para as despesas públicas. Esta convicção é baseada na nossa opinião de que o Congresso manterá seu perfil conservador após as eleições. Nas eleições gerais de 2 de outubro, os partidos do centro provavelmente serão os vencedores, e terão a maioria dos assentos na Câmara e no Senado. O percentual de candidatos reeleitos provavelmente será muito alto devido ao fundo eleitoral aprovado pelo congresso no ano passado, o que dará aos titulares uma vantagem considerável sobre os novatos.

 

Devido ao perfil conservador do Congresso, qualquer medida irresponsável proposta pelo executivo dificilmente será aprovada. No entanto, também não esperamos que nenhuma reforma estrutural importante seja aprovada no próximo ano, o que torna desafiador o potencial de crescimento de longo prazo do país.

 

O cenário acima tem implicações importantes para nossa alocação tática de ativos, que explicaremos em detalhes agora.

Alocação tática

Em nossa alocação tática de ativos, aumentamos os títulos pré-fixados para mais preferidos, mantemos títulos pós-fixados como mais preferidos, ativos globais em menos preferidos, e neutros em indexados à inflação, ações, fundos multimercados, fundos imobiliários e ativos alternativos.

 

Registre-se na nossa comunidade LatAm Access+ para obter uma cópia do relatório  e ler todas as recomendações em detalhes.

 

Este conteúdo é um produto de UBS Chief Investment Office (CIO).


Explore mais

Os principais cenários e ideias de investimento

Registre-se em LatAm Access+ para acessar ideias e insights de investimentos.

UBS House View - Superman vs. Bizarro; Descubra

Os mercados financeiros hoje estão no mundo normal ou no Mundo Bizarro? Descubra.

Vídeos: Semana de Investimento Sustentável

Aprenda sobre SI com foco nos clientes, filantropia, portfólios e muito mais.