UBS Investor Watch 2022

Nos próximos quatro anos, o desenvolvimento da agenda de reformas será fundamental para evitar que o Brasil volte a ficar frágil.

Os cinco grandes desafios para o próximo governo

O vencedor precisará construir uma maioria no Congresso

Desafio 1

O novo governo enfrentará um eleitorado dividido. Em nossa opinião, o primeiro desafio para o próximo governo será, portanto, acalmar o sentimento nacional, uma vez que a campanha desencadeou um debate feroz, muitas vezes polarizado, em torno de questões importantes. Para ter sucesso nesta tarefa, o próximo presidente terá que ouvir o outro lado.

Desafio 2

O segundo desafio será a governabilidade. O vencedor precisará construir uma maioria no Congresso. Esta será uma tarefa mais fácil para Bolsonaro; a maioria do atual Congresso pertence a partidos de direita e de centro-direita, e ele já tem uma coalizão que poderia ser facilmente reconstruída. No entanto, ele terá que lidar com uma oposição que encontrou vigor renovado após o forte desempenho de Lula na eleição.

 

No caso de Lula, formar uma maioria será uma missão mais difícil e mais longa. Vai depender de quais partidos participarão do ministério, e quem será o presidente da Câmara e do Senado. Levará meses até sabermos se a coalizão de Lula terá maioria, mas entendemos que ele tem capacidade política para alcançá-la.

Desafio 3

O terceiro grande desafio será um ambiente externo hostil. À medida que as chances de recessão global aumentam, o Brasil terá que lidar com um crescimento econômico mais fraco, condições de financiamento mais difíceis no exterior, menos liquidez, taxas de juros mais altas e um ambiente de comercio mais difícil.

 

Para o Brasil, a consequência mais direta dessa combinação de fatores provavelmente será a redução dos preços das commodities, o que reduziria o saldo positivo de sua balança comercial e pioraria sua posição fiscal.

Desafio 4

O quarto desafio está na frente fiscal. Como ambos prometeram aumentar os gastos sociais, o quadro fiscal pode precisar ser revisto, e a lei do teto de gastos pode precisar ser relaxada ou substituída por outra regra.

 

Independentemente do que o governo possa propor, isso afetaria o ambiente de investimentos, pois os mercados provavelmente questionariam a sustentabilidade da dívida pública, especialmente no cenário global atual.

 

Tanto Bolsonaro quanto Lula também devem pedir algum tipo de renúncia fiscal em 2023, já que o teto de gastos provavelmente será violado, então o congresso terá um papel importante aqui.

 

Para os anos seguintes, qualquer proposta de alteração do quadro fiscal terá que ser aprovada como emenda constitucional, também em 2023. Para que passe sem causar estresse no mercado, o arcabouço deve ser transparente, alcançável e previsível, e deve fornecer as condições para sustentabilidade da dívida-PIB. Não será uma tarefa fácil.

Desafio 5

Por fim, um grande desafio para o Brasil é trabalhar em direção a reformas estruturais que possam aumentar o potencial de crescimento da economia. Os líderes terão que decidir que direção querem tomar para o futuro do país, em termos de quais reformas priorizarão para impulsionar o crescimento da produção e melhorar a renda das famílias.

 

Se o novo governo não desenvolver uma agenda robusta, a economia poderá voltar a se enfraquecer. Em nossa opinião, a posição competitiva do Brasil como um grande produtor de diversas commodities deve ser explorada como base para seu potencial de crescimento. As reformas tributária e administrativa também devem ser reincluídas no plano d novo governo.


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